Março de 2020. Enquanto o mundo entrava em pânico com a COVID, eu estava obcecado com a dramaticidade do mercado. Bolsas despencando e os circuit breakers sendo acionados. O portfólio local sangrava, enquanto o dólar cumpria seu papel de refúgio. A única coisa que me importava era encontrar o fundo, o timing perfeito, aquele ponto de virada que todo investidor sonha em capturar.
Acertei parcialmente. Do lado dos investimentos internacionais, fomos para o “all in” ainda em abril. No local, atrasamos um pouco o passo. Mas, os mercados se recuperaram violentamente no primeiro semestre de 2021. Meu portfolio sorriu e eu sorri de volta. Achei que havia entendido o jogo.
Então veio 2022.
O estouro foi dolorido, mesmo para alguém acostumado aos solavancos das ações. Não foram somente os números que incomodaram, mas sim a interpretação sobre aquele estágio do mercado. Tech despencou. Growth (investimento em crescimento) virou palavra suja. A promessa de bilhões do Metaverso em que todos pareciam acreditar, revelou-se como mais uma miragem cara no deserto da inovação.
Enquanto o mercado público se digladiava com os juros, inflação, conflitos, eleição, etc, algo transformacional nascia no mercado privado. Algo que eu, como tantos outros, subestimei completamente.
Em novembro de 2022 abri o ChatGPT pela primeira vez. Minha reação inicial oscilou entre fascínio e ceticismo profundo. Parecia impressionante, mas seria apenas mais um hype tech? Mais um "próximo grande lance" que desapareceria como tantos outros? Afinal, acabávamos de ver bilhões sendo queimados em headsets de realidade virtual que ninguém queria usar. Confesso que tive meus momentos de dúvida. Procurei incansavelmente agulhas no palheiro.
Mas dessa vez alguma coisa me dizia que essa inovação era (muito) diferente. E eu estava prestes a descobrir o quê.
Assumir a cadeira de CIO de uma asset no meio dessa turbulência foi como entrar em um ringue onde as regras do combate estavam sendo reescritas lentamente em tempo real. Não bastava mais ler relatórios, fazer DCFs elegantes ou confiar em múltiplos históricos. A transformação na forma de atuar começou a ganhar corpo.
Foi quando comecei a construir algo que mudou completamente minha perspectiva: os agentes de análise de investimentos. Não estou falando de planilhas de excel, algoritmos simples ou “screeners” automatizados. Estou falando de sistemas de IA que processavam informação de formas que simplesmente não eram possíveis três anos atrás. Eles davam suporte na seleção de ativos para os fundos internacionais que geríamos, e abriam espaço para ampliar brutalmente minha forma de pensar.
E foi nesse processo – que por vezes me levavam a ficar acordado até as 2h da manhã -, vendo os modelos de linguagem (os LLMs) digerirem relatórios que me levariam dias e observando diferentes padrões emergirem de dados que meu cérebro não conseguiria conectar (ou que demorariam mais alguns anos) – que a ficha finalmente caiu.
Estava testemunhando algo monumentalmente maior do que imaginava.
Aqui está o que a maioria dos investidores ainda não percebeu: estamos vivendo a maior mudança de paradigma econômico desde a Revolução Industrial. E não, não estou exagerando para fazer você ler minhas newsletters.
Pense comigo. Toda revolução econômica anterior foi sobre multiplicar nossa capacidade física. A máquina a vapor multiplicou nossa força, enquanto a eletricidade multiplicou nossas horas produtivas. O computador multiplicou nossa capacidade de processar informação estruturada.
Mas a IA é fundamentalmente diferente. Ela não multiplica apenas uma capacidade – ela replica a própria capacidade de pensar, analisar, criar e decidir. Pela primeira vez na história humana, estamos commoditizando o raciocínio.
Segure essa linha de pensamento por um segundo.
Quando você commoditiza raciocínio, você não está apenas criando eficiências marginais. Você está demolindo por completo as estruturas de custo que sustentam a economia moderna. Consultorias estratégicas cobrando milhões por análises que um agente fará em minutos. Departamentos inteiros de compliance substituídos por sistemas que nunca dormem e nunca cometem erros de fadiga. Analistas financeiros – sim, pessoas como eu – tendo suas funções fundamentalmente repensadas.
E aqui está a parte que me traz mais entusiasmo: isso está acontecendo agora. Não em uma década. Não em cinco anos. Agora.
Olho para meu histórico como investidor e vejo um padrão claro. Em 2020, estava preocupado demais com a volatilidade de curto prazo para ver a mudança estrutural nos mercados digitais. Em 2021, estava celebrando ganhos para perceber que estava surfando uma onda de liquidez, não de transformação real. Em 2022, estava focado no Metaverso enquanto a verdadeira revolução nascia silenciosamente em laboratórios de IA.
Em cada um desses momentos, estava olhando para o lugar errado. Em cada vez, estava pensando pequeno demais.
A questão não é se o preço das ações da Nvidia vai ou não continuar subindo. A questão não é qual será o próximo "líder de IA" ou quando virá a correção (o estouro da bolha). A questão fundamental é: você entende que estamos testemunhando o nascimento de uma economia completamente nova?
Pense no mercado financeiro especificamente. Nossa indústria inteira é construída sobre três pilares: informação assimétrica, processamento analítico e execução. A IA está demolindo os três simultaneamente. Os gestores ativos que cobram 2 and 20 para fazer o que modelos farão por centavos. Os bancos de investimento com exércitos de analistas produzindo relatórios que agentes produzirão instantaneamente. Traders humanos competindo contra sistemas que processam todo o livro de ordens em milissegundos.
Isso não significa que não haverá oportunidades. Significa que as oportunidades serão radicalmente diferentes do que conhecemos.
Após esses três anos mergulhando profundamente nesse tema – construindo sistemas, fazendo diversos cursos, conversando com founders na fronteira dessa tecnologia e observando de dentro como uma asset precisa se adaptar – minha conclusão é cristalina:
O futuro da economia é absurdamente brilhante. Estamos falando de ganhos de produtividade que farão a “Era da Internet” parecer incremento marginal. Estamos falando de resolver problemas que considerávamos intratáveis – do descobrimento de drogas à fusão nuclear, da educação personalizada à democratização do acesso ao conhecimento.
Mas o caminho até lá será brutal para quem não se adaptar.
E aqui está meu compromisso: quero navegar essa mudança em conjunto com você. Não vou te vender a hype. E não vou te dizer que toda empresa com IA no pitch deck é um investimento brilhante. Meu intuito é te mostrar, semana após semana, como separar transformação real de teatro corporativo. Como identificar as empresas e tendências que estão genuinamente construindo essa nova economia versus aquelas que estão apenas surfando a narrativa. O time que dará vida a Capital Pulse está pronto. Meus sócios detêm a experiência e habilidade necessárias para construir algo realmente transformador e que traga valor de verdade para quem embarcar conosco nessa jornada.
Porque se há algo que aprendi nos últimos quatro anos – diante de pandemias, crashes, manias e descobertas – é que o maior risco não é estar errado sobre o timing. O maior risco é estar cego para a magnitude da mudança.
Algo grande está acontecendo. Maior do que ciclos de mercado. Maior do que as valuations de tech. Maior do que qualquer tendência que analisamos nos últimos anos.
E desta vez, não vou cometer o erro de olhar para o lugar errado.
Você vem comigo?
João Piccioni
Fundador, Capital Pulse
P.S.: Estou construindo a Capital Pulse como ponte entre o que acontece em mercados globais e no mundo da tecnologia. Se você quer acompanhar essas teses em tempo real, considere se inscrever na newsletter semanal.
